Resume-se a instruir, reproduzir um tipo de conhecimento que não é relevante para as reais necessidades do aluno.
Essa postura de educação está a serviço de uma sociedade mercadológica e tecnocrática. Daí as propostas pedagógicas estarem direcionadas a uma aplicação de técnicas a um sujeito, o aluno, tratado meramente como um objeto a ser conhecido e treinado para atender as exigências do mercado. Esse modelo de educação tem sido pensado como um dos maiores desafios da contemporaneidade, e os seus críticos vêm tentando superar o estilo “pedagogizador” da educação.
Partindo daquele pressuposto de Habermas de que potencialmente todos os membros de uma sociedade têm condições de exercitar sua capacidade comunicativa, faz-se necessário perguntar se a educação tem estimulado essa capacidade. Digamos que, lentamente, ela vem se constituindo sob um novo discurso pautado pela transformação. Mas ainda caminha sob a sombra do modelo “pedagogizador”, uma vez que não basta somente mudar o discurso, é preciso efetivar os discursos mediante a ação comunicativa. No Brasil, os desafios são ainda maiores, porém contornáveis se forem adotados políticas educacionais adequadas.
Para inverter o modelo de educação pautado pelo estilo “pedagogizador”, torna-se necessário fazermos propostas para uma educação mais consistente e comprometida com uma efetiva emancipação do sujeito. Dessa forma, acreditamos que uma prática pedagógica associada à Teoria da Ação Comunicativa proposta por Habermas pode contribuir para um pensar crítico em prol de uma educação voltada para a formação do sujeito emancipado, sensível e ético.
Embora Habermas não tenha elaborado uma Filosofia da Educação, podemos identificar em seu pensamento uma visão a respeito da educação. As idéias habermasianas a respeito da linguagem, do conhecimento e da ética podem abrir novas perspectivas para a educação em termos de uma filosofia da educação que possa suscitar nos sujeitos dotados de competência interativa a capacidade de questionar o sistema de normas que vigora na sociedade.
O modelo pedagogizador segundo Foucault:
Os teóricos que seguem a linha de um pragmatismo à la Nietzsche afirmam ser possível nos tornarmos melhores pela linguagem, pela conversação, abertos à proliferação de idéias e projetos interconectados, sem exigir comensuração ou validade transcendente ao contexto histórico. Mas a situação na qual nos encontramos exige antes uma análise acurada. As chamadas filosofias representacionistas estão ligadas à idéia de que a mente apreende a realidade. Ao refletirem sobre as capacidades do pensamento e da razão o vê unicamente como reflexo especular da realidade. A partir de Kant a razão é chamada para organizar o caos da experiência. As formas puras a priori da razão permitem conhecer os fenômenos, não podemos conhecer o que as coisas são em si mesmas. As filosofias do sujeito analisam o homem simultaneamente como pertencente a uma história, tendo um corpo, como podendo conhecer por meio desta história, aquilo que ele é. Assim, o material recolhido empiricamente passa a ser dotado de valor transcendental.
Ora, segundo Foucault em As Palavras e as Coisas, tomar o empírico como transcendental é um retorno ao estilo de pensamento pré-kantiano, ingênuo. Não percebe que o material coletado na história para explicar o homem não pode ser transcendental, visto que é histórico. O modo de sairmos das dificuldades da fenomenologia, do positivismo e do marxismo, que são filosofias do sujeito, é mostrarmos que o pensamento humano é cultural e historicamente marcado. Que as categorias para pensar o ser humano são elas próprias humanas, construções nossas, históricas. Desta forma, é preciso analisar a educação como prática, com fundo histórico, com usos bem determinados. São as necessidades que as diversas instituições têm de modificar suas funções em consonância com as mudanças mais amplas nos fatores sociais, econômicos e culturais, que mostram como a educação, ao se escolarizar na modernidade, passou a exercer um papel de controlador e adaptador daquelas necessidades. E elas são, grosso modo, tanto necessidades técnicas (aprender ofícios e funções) como necessidades operatórias, estratégicas, ou como mostrou Foucault, disciplinares, fruto do tipo de sociedade que, desde fins do século XVIII, vem reforçando práticas que distribuem saber e poder por todo o corpo social, especialmente por instituições em que o indivíduo precisa ser curado, examinado, treinado, exercer ofícios.
Dentre as conseqüências negativas do modelo técnico/cientificizante, proveniente da sociedade moderna tecnicizada, está o indivíduo treinado, pedagogizado. Neste sentido, a escola funciona como operador de pedagogização, pois reúne a capacidade de habilitar com recursos educacionais básicos a criança e o jovem, com a capacidade de fornecer os mecanismos e instrumentos pedagógicos que asseguram obediência, responsabilidade, prontidão, docilidade, adaptabilidade.
Esses mecanismos e instrumentos são, por exemplo, a fila, a carteira, o treino para a escrita, os exercícios com dificuldades crescentes, a repetição, a presença num tempo e num espaço recortados, a punição pelo menor desvio de conduta, a vigilância por parte de um mestre ou de um monitor, as provas, os exames, os testes de aprendizagem e de recuperação, o treinamento dentro de padrões e normas fixos. E mais, os resultados dos esforços pedagógicos sendo permanentemente avaliados por critérios também eles padronizados, leva a uma simples análise de boletins, que sirva para medir os casos que desviam, portanto, serve para marcar, excluir, normalizar.
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